O
relatório Brundtland, também conhecido como “Nosso Futuro Comum” da Comissão
Mundial sobre o Meio Ambiente, publicado em 1987, o define como “o
desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a
capacidade de as gerações futuras satisfazerem suas próprias
necessidades”.
Segundo a OMT apud
Wearing e Neil (2001), o turismo
sustentável só será viável se o poder de conservação dos lugares turísticos
essenciais for administrado e implantado rigorosamente sendo monitorado de
maneira eficiente. Além disso, para a validação do conceito em determinada
localidade, deve-se obter a cooperação do setor público e a participação ativa
da comunidade local e até dos próprios turistas.
Segundo Ansarah (2001),
“o estudo do turismo deve ser direcionado para
o desenvolvimento sustentável, conceito essencial para alcançar metas de
desenvolvimento sem esgotar os recursos naturais e culturais nem deteriorar o
meio ambiente. Entende-se que a proteção do meio ambiente e o êxito do
desenvolvimento turístico são inseparáveis”.
Para
o autor, esses recursos devem ser explorados de forma que os impactos sejam mitigados,
pois sem a preservação adequada do meio ambiente não há o desenvolvimento
turístico da forma que é proposta, ou seja, de maneira sustentável.
Muito
se tem dito e trabalhado para o desenvolvimento da economia através do turismo.
Porém, como podemos observar o modelo mais adotado é do turismo de
massificação, aquele que demanda um grande número de turistas em um determinado
local ou região, sem o devido estudo ou aplicação de métodos de controle,
fazendo com que haja uma degradação deste território, causando danos
irreparáveis ao meio ambiente, impedindo que gerações futuras possam usufruir
de tal patrimônio.
Deve-se
então propor um planejamento turístico para que ordene as ações do homem sobre
o território, a fim de evitar danos irreparáveis ao meio ambiente, destruindo o
próprio atrativo através de construções inadequadas, pisoteamento, etc..
Para
Ansarah (2001), o planejamento resume-se em um conjunto de práticas que devem
estabelecer condições para que os objetivos propostos sejam alcançados.
Este
planejamento deve ser feito para direcionar o comportamento dos turistas e para
educação ambiental, sendo capaz de gerar não só benefícios ambientais como
econômicos.
O ecoturismo é tratado por
muitos autores como sendo a principal resposta a problemas que se desenvolveram
pela falta de modelo de turismo sustentável, por considerarem que o ecoturismo
contribui para a diminuição do impacto no meio ambiente, como arrefecimento da
exploração massificada, além de ser uma atividade geradora de receita. Lembrando, claro, que diferentemente do ecoturismo, turismo sustentável não é um produto e sim um conceito.
Para Ruschmann (1994), o
desenvolvimento do turismo sustentável de recursos ou localidades turísticas
deve obedecer algumas medidas como a restringir o acesso e o desenvolvimento;
estabelecer cotas ou custos que limitem instalações de equipamentos receptivos;
a delegação de poderes às autoridades competentes e responsabilizando-as por
decisões que dizem respeito ao desenvolvimento. Essas medidas são colocadas como
formas de estabelecer parâmetros adequados ao desenvolvimento do ecoturismo,
para que este possa ser adotado em sua essência.
Para Wearing e Neil (2001) caso
o ecoturismo não siga regras adequadas pode tornar-se um modelo de “turismo
insustentável”, pois desenvolvimentos inadequados afetam locais delicados. Isso
indica que na prática é muito mais difícil encontrar o equilíbrio entre turismo
e sustentabilidade.
Porém, esse contato do
ecoturista com a natureza contribui para a criação de um novo pensamento de
preservação do meio natural, utilizando o próprio estado de conservação como
atrativo, levando-os a compreender a necessidade de proteger o patrimônio como
um todo.
Deve-se ter um cuidado especial
com o desenvolvimento da percepção e aceitação da comunidade local quanto ao
turismo sustentável, haja vista experiências negativas que houveram pelo
imediatismo principalmente financeiro em outras localidades, fazendo com que a
atividade se perdesse ou transformando-a num turismo de massa.
Essa conscientização da
população local irá contribuir para a mudança do perfil deste turista, pois
este se vê obrigado a adotar, ou no mínimo a pensar numa mudança de postura,
agindo de forma a não degradar a recurso natural, preservando-o para que
gerações futuras tenham acesso a este patrimônio.
O
ecoturismo pode vir a ser um mecanismo tanto de manutenção do patrimônio
natural, como um incremento nos ganhos da população desde que tendo um
acompanhamento sistemático das atividades realizadas, da população de turistas
e do crescimento dos equipamentos. Além disso, o turismo é um agente de desenvolvimento
da população residente, inserindo-os no processo de cidadania.
Referências bibliográficas
ANSARAH, Marília Gomes
dos Reis (Org.). Turismo. Como aprender, como ensinar. São Paulo: Editora
SENAC, 2001.
BENI, Mário Carlos. Análise estrutural do turismo. São Paulo, Editora
SENAC, 2001.
Campos, Ângelo Mariano Nunes. 2005. Artigo – O Ecoturismo como
alternativa de Turismo Sustentável.
GOMES, Bruno; SILVA, Valdir; SANTOS, Antônio. agosto 2008. Artigo - Políticas
públicas de turismo: uma análise dos circuitos turísticos de Minas Gerais sob a
concepção de Cluster.
PETROCCHI, Mario. Hotelaria - Planejamento e Gestão. São Paulo, Editora
Futura, 2002.
RUSCHMANN,
Doris. O planejamento do turismo e a proteção do meio ambiente.
São Paulo: ECA/USP,
1994.
VALDUGA, Vander. junho 2008. Artigo - Do modelo sistêmico linear
turístico ao da Unitas-multiplex. Uma análise crítica da carente sistêmica e
suas limitações no campo turístico.
WEARING, Stephen; NEIL, John. Ecoturismo: impactos, potencialidades e
possibilidades. Barueri, SP: Editora Manole, 2001.