terça-feira, 6 de setembro de 2011

TURISMO SUSTENTÁVEL


                                         
O relatório Brundtland, também conhecido como “Nosso Futuro Comum” da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente, publicado em 1987, o define como “o desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as gerações futuras satisfazerem suas próprias necessidades”. 
Segundo a OMT apud  Wearing e Neil (2001), o turismo sustentável só será viável se o poder de conservação dos lugares turísticos essenciais for administrado e implantado rigorosamente sendo monitorado de maneira eficiente. Além disso, para a validação do conceito em determinada localidade, deve-se obter a cooperação do setor público e a participação ativa da comunidade local e até dos próprios turistas.
Segundo Ansarah (2001),
 “o estudo do turismo deve ser direcionado para o desenvolvimento sustentável, conceito essencial para alcançar metas de desenvolvimento sem esgotar os recursos naturais e culturais nem deteriorar o meio ambiente. Entende-se que a proteção do meio ambiente e o êxito do desenvolvimento turístico são inseparáveis”.
Para o autor, esses recursos devem ser explorados de forma que os impactos sejam mitigados, pois sem a preservação adequada do meio ambiente não há o desenvolvimento turístico da forma que é proposta, ou seja, de maneira sustentável.
Muito se tem dito e trabalhado para o desenvolvimento da economia através do turismo. Porém, como podemos observar o modelo mais adotado é do turismo de massificação, aquele que demanda um grande número de turistas em um determinado local ou região, sem o devido estudo ou aplicação de métodos de controle, fazendo com que haja uma degradação deste território, causando danos irreparáveis ao meio ambiente, impedindo que gerações futuras possam usufruir de tal patrimônio.
Deve-se então propor um planejamento turístico para que ordene as ações do homem sobre o território, a fim de evitar danos irreparáveis ao meio ambiente, destruindo o próprio atrativo através de construções inadequadas, pisoteamento, etc..
Para Ansarah (2001), o planejamento resume-se em um conjunto de práticas que devem estabelecer condições para que os objetivos propostos sejam alcançados.
Este planejamento deve ser feito para direcionar o comportamento dos turistas e para educação ambiental, sendo capaz de gerar não só benefícios ambientais como econômicos.
O ecoturismo é tratado por muitos autores como sendo a principal resposta a problemas que se desenvolveram pela falta de modelo de turismo sustentável, por considerarem que o ecoturismo contribui para a diminuição do impacto no meio ambiente, como arrefecimento da exploração massificada, além de ser uma atividade geradora de receita. Lembrando, claro, que diferentemente do ecoturismo, turismo sustentável não é um produto e sim um conceito.
Para Ruschmann (1994), o desenvolvimento do turismo sustentável de recursos ou localidades turísticas deve obedecer algumas medidas como a restringir o acesso e o desenvolvimento; estabelecer cotas ou custos que limitem instalações de equipamentos receptivos; a delegação de poderes às autoridades competentes e responsabilizando-as por decisões que dizem respeito ao desenvolvimento. Essas medidas são colocadas como formas de estabelecer parâmetros adequados ao desenvolvimento do ecoturismo, para que este possa ser adotado em sua essência.
Para Wearing e Neil (2001) caso o ecoturismo não siga regras adequadas pode tornar-se um modelo de “turismo insustentável”, pois desenvolvimentos inadequados afetam locais delicados. Isso indica que na prática é muito mais difícil encontrar o equilíbrio entre turismo e sustentabilidade.
Porém, esse contato do ecoturista com a natureza contribui para a criação de um novo pensamento de preservação do meio natural, utilizando o próprio estado de conservação como atrativo, levando-os a compreender a necessidade de proteger o patrimônio como um todo.
Deve-se ter um cuidado especial com o desenvolvimento da percepção e aceitação da comunidade local quanto ao turismo sustentável, haja vista experiências negativas que houveram pelo imediatismo principalmente financeiro em outras localidades, fazendo com que a atividade se perdesse ou transformando-a num turismo de massa.
Essa conscientização da população local irá contribuir para a mudança do perfil deste turista, pois este se vê obrigado a adotar, ou no mínimo a pensar numa mudança de postura, agindo de forma a não degradar a recurso natural, preservando-o para que gerações futuras tenham acesso a este patrimônio. 
O ecoturismo pode vir a ser um mecanismo tanto de manutenção do patrimônio natural, como um incremento nos ganhos da população desde que tendo um acompanhamento sistemático das atividades realizadas, da população de turistas e do crescimento dos equipamentos. Além disso, o turismo é um agente de desenvolvimento da população residente, inserindo-os no processo de cidadania.
 



Referências bibliográficas



ANSARAH, Marília Gomes dos Reis (Org.). Turismo. Como aprender, como ensinar. São Paulo: Editora SENAC, 2001.
BENI, Mário Carlos. Análise estrutural do turismo. São Paulo, Editora SENAC, 2001.
Campos, Ângelo Mariano Nunes. 2005. Artigo – O Ecoturismo como alternativa de Turismo Sustentável.
GOMES, Bruno; SILVA, Valdir; SANTOS, Antônio. agosto 2008. Artigo - Políticas públicas de turismo: uma análise dos circuitos turísticos de Minas Gerais sob a concepção de Cluster.
PETROCCHI, Mario. Hotelaria - Planejamento e Gestão. São Paulo, Editora Futura, 2002.
RUSCHMANN, Doris. O planejamento do turismo e a proteção do meio ambiente.
São Paulo: ECA/USP, 1994.
VALDUGA, Vander. junho 2008. Artigo - Do modelo sistêmico linear turístico ao da Unitas-multiplex. Uma análise crítica da carente sistêmica e suas limitações no campo turístico.
WEARING, Stephen; NEIL, John. Ecoturismo: impactos, potencialidades e
possibilidades. Barueri, SP: Editora Manole, 2001.